15 outubro 2017 4:52 pm

Boca Aberta tem o mandato de vereador cassado pela Câmara de Londrina

Redação Paiquerê

Placar da votação. Foto: Paiquerê
Placar da votação. Foto: Paiquerê

Depois de quase nove horas de sessão, Emerson Petriv (PR), o Boca Aberta, teve o mandato de vereador cassado pela Câmara Municipal de Londrina na tarde deste domingo (15) por quebra de decoro parlamentar. Dos 19 vereadores, 14 votaram a favor do relatório da Comissão Processante (CP) e cinco contra. Eram necessários 13 para a perde da função. Com a decisão do Legislativo, Boca Aberta fica inelegível pelos próximos oito anos. Ele garante que vai recorrer do resultado.

Votaram a favor da cassação os vereadores Mario Takahashi (PV), Vilson Bittencourt (PSB), Rony Alves (PTB), Junior Santos Rosa (PSD), Amauri Cardoso (PSDB), Péricles Deliberador (PSC),  Ailton da Silva Nantes (PP), Filipe Barros (PRB), Eduardo Tominaga (DEM), Estevão da Zona Sul (PTN), Felipe Prochet (PSD), Jamil Janene (PP), Pastor Gerson Araújo (PSDB) e João Martins (PSL). Votaram pelo arquivamento da denúncia Roberto Fú (PDT), Daniele Ziober (PPS), Gui Belinati (PP), Jairo Tamura (PR) e o próprio Boca Aberta.

Vereador mais votado da história de Londrina e das eleições de 2016 no Paraná, quando recebeu 11.480 votos, Petriv havia sido denunciado pela servidora municipal Regina Amância por suposto estelionato ao ter promovido uma “vaquinha” virtual no Facebook para quitar uma multa eleitoral, que levou da Justiça por ter pedido votos em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) durante as últimas eleições.

Sessão
A sessão que resultou na cassação do mandato do vereador Boca Aberta começou por volta das 8h, horário previsto. Durante quase seis horas, foram lidas peças do processo, de defesa e acusação, que somou cerca de 222 páginas, das mais de 600 arroladas. Após esta etapa, a defesa de Petriv pediu, novamente, a suspeição de Rony Alves, e alegou que houve cerceamento do agora ex-vereador, como forma de suspender a sessão. A presidência da Casa, porém, indeferiu os pedidos.

Os vereadores tiveram direito a 15 minutos de fala cada um, entretanto, nenhum quis usar a palavra. Posteriormente, a defesa teve duas horas para argumentar a favor por Boca Aberta. O tempo, por opção de Petriv, foi usado por ele e por seu advogado, Eduardo Duarte Ferreira. “Pouco importa se houve prova, improbidade ou estelionato. O que importa é colocar sobre o julgo o vereador mais votado do Paraná. É assim que se extirpa quem incomoda. Seja pelo voto ou pela sede de Justiça”, atacou Ferreira. Já Boca Aberta, durante sua fala, passou diversos vídeos para se defender. Ele chegou a ajoelhar-se e chorar para pedir que os vereadores não votassem pela sua cassação.

Galerias

Foto: Paiquerê
Foto: Paiquerê

Apesar da segurança reforçada e expectativa de grande presença popular, poucas pessoas compareceram na sessão de julgamento. Cerca de 50 homens e mulheres ocuparam as galerias da Câmara. Somente após a sessão que presentes começaram a atacar verbalmente vereadores que votaram a favor da cassação. Algumas faixas também foram estendidas. Uma delas questionava quem ajudaria o Hospital do Câncer. O objeto fazia referência a doação do salário de vereador que Boca Aberta faz mensalmente à instituição. Para assistir a sessão, os interessados teriam que fazer uma retirada prévia de senhas. Responsável pela denúncia, Regina Amâncio assistiu à sessão das galerias da Câmara.

Petriv é o segundo vereador cassado da história da Câmara de Londrina. A última perda de mandato por decisão dos parlamentares aconteceu em 2008, com Orlando Bonilha. A Comissão Processante, que pediu a cassação de Boca Aberta, era formada por Felipe Prochet (presidente), Rony Alves (relator) e Eduardo Tominaga (relator), que assumiu a vaga no lugar de Jamil Janene. Ele deixou a função após decisão da Justiça.

Suplente
A vaga de Emerson Petriv será herdada por Roque Neto (PR), que tirou a denominação de padre de seu nome político. Ele já foi presidente da Câmara e em janeiro deste ano foi nomeado pelo prefeito Marcelo Belinati (PP) para um cargo comissionado na Secretaria Municipal de Assistência Social.

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