12 agosto 2018 12:49 pm

Filmes dirigidos por mulheres são maioria em mostra de Brasília

Agência Brasil

Os diretores de cinema Ary Rosa e Glenda Nicácio. Foto: Divulgação
Os diretores de cinema Ary Rosa e Glenda Nicácio. Foto: Divulgação

Pela primeira vez desde a sua criação, o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro terá maior presença de diretoras mulheres entre os filmes selecionados. Na 51ª edição do festival, que acontece entre 14 e 23 de setembro na capital federal, 52,4% das diretoras são mulheres, 9,5% se inscreveram sob a categoria não binária (outros) e apenas 38,1% dos selecionados são homens. No processo de inscrição para o festival, a maior parte da produção era dirigida por homens (68%) em relação às mulheres (28%). Em anos anteriores, o festival chegou a ser criticado pela baixa presença de diretoras.

A maior presença de mulheres também aparece em relação à equipe do festival. As mulheres representam 75% do quadro de trabalho e os homens correspondem a 25% da força produtiva do evento.

Para o secretário de Cultura do Distrito Federal, Guilherme Reis, essa é uma realidade que está se impondo também no cenário do audiovisual. “O cinema sempre  foi uma indústria muito masculina, na produção e nos sets, e isso vem mudando radicalmente nos últimos anos. O Brasil vive esse momento de política afirmativa, e as mulheres estão garantindo seu espaço de trabalho, isso estará refletido nas telas fortemente este ano”, ressaltou.

A Passagem do Cometa
Alice Andrade Drummond, que esteve na edição passada do festival como diretora de fotografia do curta-metragem A Passagem do Cometa (SP), de Juliana Rojas – que retrata a sala de espera de uma clínica de aborto clandestina – volta este ano como diretora do curta Mesmo com Tanta Agonia (SP), feito por meio de um edital afirmativo para mulheres. Ela, que trabalha mais em cinema como diretora de fotografia, considera que essa é uma área ainda mais masculina que a própria direção no cinema.

“É absurdo, tanto na fotografia quanto na direção, a participação de mulheres. Se forem as mulheres negras então, é mais absurdo ainda. Acho mais do que fundamental que o festival abra espaço, tem que abrir mesmo. Você vê os filmes mais antigos, só tem homem em todos os lugares, em todas as posições. Mulher, às vezes, ficava com a arte ou montagem, figurino, maquiagem e olhe lá”, lembrou Alice.

Prêmio Leila Diniz
Para celebrar figuras femininas que marcaram o cinema brasileiro, o Festival de Brasília criou, para a edição deste ano, o Prêmio Leila Diniz. O objetivo é destacar mulheres cujas práticas e trabalhos são fundamentais para o cinema nacional. “Não é um prêmio para atrizes, porque a ideia da Leila não é a da estrela que brilha por estar na frente das telas, é a ideia realmente de pessoas que fazem diferença na representação e na presença feminina no audiovisual como um todo”, disse o diretor artístico do festival, Eduardo Valente.

Leila Diniz participou do Festival de Brasília em 1966 com o longa-metragem Todas as Mulheres do Mundo, de Domingos Oliveira.

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