12 setembro 2018 8:40 am

MP apresenta suposta cobrança de propina entre ex-governador e delator

Redação Paiquerê

Beto Richa -Beto Richa - Foto: Arnaldo Alves/ANPr
Richa foi preso no aparamento onde morá, em Curitiba. Foto: Arnaldo Alves/ANPr

Duas investigações envolvendo o ex-governador Paraná e candidato ao Senado, Beto Richa (PSDB), foram deflagradas nesta terça-feira (12). Segundo o Ministério Público do Paraná (MP-PR), ele é chefe de uma organização criminosa que fraudou uma licitação de mais de R$ 70 milhões para manutenção de estradas rurais, em 2011. Segundo despacho do juiz Fernando Bardelli Silva Fischer, o esquema criminoso funcionava a partir do aluguel de máquinas da iniciativa privada no programa Patrulha no Campo. A fraude na licitação tinha o objetivo de direcioná-las para que as empresas envolvidas ganhassem o contrato superfaturado e em troca previa o pagamento de 8% a agentes públicos, a título de propina, sobre o faturamento bruto.

A operação Rádio Patrulha foi deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). A ação foi feita com base nas investigações da delação de Tony Garcia, que era o recebedor da propina e repassava o dinheiro a Richa. O grupo criminoso tinha ainda a participação de Pepe Richa, Luiz Abi Antoum, Ezequias Moreira e Deonilson Roldo. Fernanda Richa, esposa do ex-governador, teria apoiado o marido para lavagem de valores ilícitos. O contador da família, Dirceu Pupo Ferreira, também tinha papel semelhante.

Entre as provas apresentadas, há um áudio gravado em novembro de 2013. Na oportunidade, o Ministério Público aponta suposta conversa entre o delator Tony Garcia e o então governador Beto Richa. Para os promotores, a conversa se remete a um atraso no pagamento de propina por Celso Frare, empresário da Ouro Verde, uma das empresas beneficiadas pela licitação supostamente fraudada.

Nenhuma das defesas optou por se manifestar. Alguns advogados disseram que seus clientes sempre se colocaram à disposição da Justiça.

Prisão
Por decisão do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), Beto Richa, candidato ao Senado pelo PSDB e presidente do partido no Paraná, e sua mulher e ex-secretária estadual, Fernanda Richa, foram transferidos na noite de terça-feira (11) do Complexo Médico-Penal, em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, para o Regimento da Polícia Montada, no bairro Tarumã, em Curitiba. O habeas corpus impetrado pedindo a soltura do casal ainda não foi julgado.

Atualizada às 10h35

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