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Para promover qualidade de vida às crianças de Londrina com suspeita ou diagnóstico de neurodivergências e doenças neurológicas, a Prefeitura lançou, na manhã desta terça-feira (6), o Projeto CUIDAR, com ampliação da Rede Carinho para consultas com especialistas. Os atendimentos com médicos neuropediatras iniciaram na segunda-feira (5), na Policlínica Municipal Ana Ito (Rua Brasil, 1.032), e a expectativa é zerar a fila de espera, que inclui 2.439 crianças e adolescentes de até 14 anos, em até seis meses.
Criado pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS), o “Projeto CUIDAR – Cuidado Infanto-Juvenil: Desenvolvimento, Aprendizagem e Reabilitação” tem como foco prioritário o atendimento ao público infanto-juvenil com neurodivergências, especialmente por conta do crescimento dessa demanda e escassez do serviço, tanto na rede pública como na rede suplementar. Na rede municipal de saúde, a fila de espera por atendimento com neuropediatra reúne pedidos desde 2017, com uma média de apenas 50 consultas ofertadas por mês, número muito abaixo da necessidade atual.
A demora para obter um diagnóstico e iniciar o tratamento adequado impacta diretamente no desenvolvimento, na aprendizagem e na qualidade de vida dessas crianças e, consequentemente, de suas famílias. Por isso, a Prefeitura iniciou um mutirão de consultas com neuropediatras, credenciados pelo Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paranapanema (Cismepar). O cronograma inicial prevê que, de segunda (5) quinta-feira (8), sejam efetuados 240 atendimentos. Nos dias 17 e 24 de janeiro, serão realizadas mais 104 consultas, e 31 de janeiro, outros 40 atendimentos.
Crianças e adolescentes que já possuíam encaminhamento para médico neuropediatra estão sendo chamados pela equipe da SMS, conforme sua posição na fila de espera. Os dados para contato podem ser atualizados pessoalmente, na Unidade Básica de Saúde (UBS), ou pela plataforma on-line Clica e Confirma, disponível no Portal da Prefeitura.
De acordo com a secretária municipal de Saúde, Vivian Feijó, a primeira fase do projeto CUIDAR envolve a ampliação e oferta de consulta com profissional neuropediatra para que, na sequência, seja possível mensurar a necessidade de vagas em terapias complementares, como fisioterapia, psicopedagogia e fonoaudiologia. “Precisamos saber quem são essas crianças, quais são os diagnósticos delas, o que realmente esperam e precisam da rede de atenção de saúde e, também, de educação. Enquanto eu não faço esse primeiro atendimento médico especializado, não consigo qualificar o tipo de terapia que ela precisa. Então, esse primeiro passo é muito importante na construção desse projeto”, destacou.
A secretária explicou que, no momento, esse mutirão é conduzido pelos médicos Aparecido Andrade, docente da Universidade Estadual de Londrina (UEL) com 40 anos de experiência, e Ana Carolina Duarte Gobbi, neurologista pediátrica que coordena o Projeto CUIDAR na SMS. “Temos outros três médicos com credenciamento em andamento e que se juntarão a eles em breve. A oferta hoje é em torno de 400 consultas para o mês de janeiro. Com a chegada dos novos profissionais, vamos conseguir dar uma velocidade ainda maior e superar todos os atendimentos feitos em 2024, que somou 405 consultas neuropediátricas, e 2025, com 595 consultas. Para otimizar essa fila, pedimos a todos que atualizem seus dados de contato, seja na UBS ou no Clica e Confirma. Outro ponto importante: quem faz acompanhamento em outro serviço, como o Ambulatório de Especialidades do Hospital Universitário, que é extremamente qualificado, não fique em outra fila, porque nós podemos dar essa vaga para outra criança que precisa”, frisou.
Feijó acrescentou, ainda, que nesse primeiro momento do projeto as consultas visam zerar a fila de espera. Em seguida, os médicos credenciados seguirão com os atendimentos, com a implantação de um ambulatório fixo. Os encaminhamentos, para essa e demais especialidades, são feitos mediante consulta e avaliação nas UBSs.
“Essa dificuldade e demora se dão, principalmente, por conta dos vazios assistenciais que algumas especialidades apresentam, como é o caso da neuropediatria. É muito difícil conseguir consulta, mesmo no particular, e são caras. Então somos muito gratos a esses profissionais parceiros e ao Cismepar, pois estamos dando um presente para toda Londrina. O diagnóstico em tempo oportuno pode interferir diretamente na qualidade de vida e no futuro dessa criança, pois vai nos permitir intervir dentro dos períodos terapêuticos adequados”, ressaltou a secretária municipal de Saúde.
Vânia da Silva Jorge era uma das mães que aguardavam na Policlínica pelo atendimento nesta terça-feira (6). Sua filha Ayanna Elisa, de dois anos e meio, descobriu uma má formação na coluna com um ano de vida e, após ser encaminhada pelo pediatra da UBS, dependia de consulta com neurologista pediátrico para definir os próximos passos do tratamento. “Já paguei consulta particular, porque faz dois anos que estou aguardando. Agora vamos passar pelo SUS, para ter uma certeza, estamos sem saber qual a melhor forma de lidar com essa situação. Não coloco ela na creche porque tenho receio, às vezes ela cai quando a coluna inflama e não consigo trabalhar para cuidar dela. Meus filhos são minha prioridade, eles são minha maior riqueza, e por eles farei o que estiver ao meu alcance”, disse.
O neurologista Aparecido Andrade contou que, nos últimos anos, o número de pessoas diagnosticadas com neurodivergências, como Transtorno do Espectro Autista (TEA) e o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), cresceu de forma considerável. “O TDAH, quando eu comecei a trabalhar ele representava 1 a 2% da população, hoje ele é 6 a até 10%, dependendo do lugar. E por que isso? Porque melhorou o critério diagnóstico. A mesma coisa acontece com o autismo, que sempre esteve lá, mas era subdiagnosticado e restrito. como esse diagnóstico é feito somente pelo neuropediatra ou psiquiatra infantil, fica muito difícil. Acho que somos 2 mil neuropediatras, se não me engano, no Brasil; é um tipo de especialidade muito difícil de se conseguir”, alertou.
Para o profissional, identificar ainda na infância se há alguma neurodivergência é essencial para que essa criança receba o acompanhamento adequado e possa garantir sua qualidade de vida. “A primeira coisa com o diagnóstico é tirar a angústia das escolas, dos pais, e fazer com que essas crianças sejam bem tratadas. Sobre distúrbios de comportamento e conduta, às vezes a criança é agressiva, e tem aquilo como um fator do próprio espectro autista ou do TOD, o Transtorno Opositor Desafiador. Então, ele não é só isso, ele tem mais coisas por trás. E tudo isso você tem que entender para que faça o tratamento correto, com a questão medicamentosa ou não, para que ele tenha um caminho suave dentro do desenvolvimento passível de ser controlado”, completou.
Com Ncom




