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10 de fevereiro de 2026Redação Paiquerê
A Prefeitura de Londrina apresentou, na segunda-feira (9), o Plano de Ação 2026 contra a dengue. O documento, elaborado pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS), reúne as estratégias que serão reforçadas ao longo do ano e introduz novas ferramentas para manter a queda registrada nos últimos dois ciclos. A apresentação ocorreu no auditório da Prefeitura e contou com a presença do prefeito Tiago Amaral, da secretária de Saúde, Vivian Feijó, e de representantes de universidades e órgãos municipais.
A cidade registrou, em 2025, uma das maiores reduções de casos da doença de sua história recente: foram 4.965 confirmações, diante dos 42.107 registrados no ano anterior, queda de 88,2%. O número de mortes também despencou, passando de 52 para 9, redução de 82,7%. Os índices superam inclusive a média nacional, que teve retração de 75% nos casos e 72% nos óbitos.
O prefeito Tiago Amaral afirmou que os números comprovam que a dengue pode ser controlada com planejamento e integração de esforços. Segundo ele, além das ações de prevenção, houve investimentos para qualificar o atendimento aos pacientes. “A dengue oscila muito rápido. Quando há descuido, os números explodem. Mas quando cuidamos, eles caem. Não é apenas vigiar focos, é também receber bem quem chega com sintomas”, disse.
O relatório epidemiológico mais recente, referente ao período entre 1º de janeiro e 3 de fevereiro de 2026, aponta 1.324 notificações e 37 casos confirmados — uma redução superior a 30% em relação ao mesmo período de 2025. Mesmo em meio a semanas de forte chuva, consideradas propícias à proliferação do Aedes aegypti, os índices seguem abaixo da média.
Entre as inovações destacadas pela secretária de Saúde, Vivian Feijó, está a ampliação do monitoramento por ovitrampas. A rede atual, com 1.100 armadilhas, será expandida para 1.500 unidades distribuídas entre a área urbana e os distritos. As amostras coletadas passam por análise na Universidade Estadual de Londrina (UEL), que identifica se os mosquitos capturados carregam vírus da dengue e qual o sorotipo identificado. Segundo Feijó, o monitoramento detalhado permite intervenções mais rápidas e precisas nas regiões com maior risco.
Outra linha de trabalho envolve o uso de dados climáticos e estatísticos. Em parceria com a UTFPR, a prefeitura utiliza modelagens que indicam áreas vulneráveis e tendências de proliferação do mosquito. Já a plataforma InfoDengue, usada em parceria com UEL e instituições nacionais, permite avaliar se as condições climáticas favorecem o avanço da doença e projeta cenários para as próximas semanas.
Entre as ações práticas, seguem os mutirões de limpeza, as visitas de agentes de endemias e a intensificação da hidratação e do manejo clínico para evitar agravamentos. Moradores também poderão acionar a Secretaria de Saúde pelo Disque-Dengue (0800-400-1893) para denúncias de locais com água parada ou para agendar uma vistoria, inclusive aos fins de semana.
Uma das novidades operacionais é o uso ampliado de drones para vistoria em imóveis fechados ou áreas de difícil acesso. Dois novos equipamentos foram incorporados à frota, permitindo avaliar com mais precisão locais como caixas d’água, calhas e telhados. O gerente de Vigilância Ambiental, Nino Ribas, explica que o processo é feito sempre com aviso prévio aos moradores. “O drone complementa a visita do agente. Ele ajuda a enxergar onde antes não conseguíamos chegar”, afirmou.
Londrina também apresentou queda significativa no índice LIRAa — levantamento que mede a presença de focos do mosquito; em 2025, o índice foi de 2,2, o menor dos últimos quatro anos. Para Ribas, a combinação entre dados laboratoriais, armadilhas e vistorias garante uma leitura mais fiel da circulação do vetor na cidade.
O Plano de Ação 2026 integra diversas secretarias, reunidas no Comitê de Zeladoria. O presidente da CMTU, Renan Salvador, reforçou que o trabalho conjunto é essencial. “Isoladamente, nenhuma área consegue conter a dengue. É uma missão que envolve limpeza urbana, saúde, obras, meio ambiente e, principalmente, a participação do cidadão”, afirmou.
A prefeitura reforça que eliminar criadouros domésticos continua sendo a forma mais eficiente de prevenção. Garrafas, copos, pneus e qualquer recipiente que acumule água seguem como principais focos. “A dengue começa no quintal”, resumiu Vivian Feijó. A expectativa do município é manter a tendência de queda e evitar novas mortes ao longo de 2026.




