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Redação Paiquerê
Há 67 anos, em janeiro de 1959, ficou pronto o primeiro Fusca totalmente montado no Brasil. Ao longo do tempo, outras 3,3 milhões de unidades desse carro deixaram as linhas de montagem da Volkswagen para circular por ruas e estradas do País.
No século 21, é difícil encontrar outro veículo com tantas décadas de história e milhares de unidades ainda em circulação. O Fusca é um caso único. Somente em Londrina, de acordo com levantamento feito pelo Detran Paraná com exclusividade para a Paiquerê 91,7, estão emplacados 7.110 Fuscas. E cada um deles transporta muito mais do que pessoas. Todo Fusca tem suas resenhas para contar.
É o caso de um verde, fabricado em 1965, com motor de 1.200 cilindradas que ronca sem desafinar. Durante 25 anos, a professora Aurides Pelarigo Antônio o utilizou para ir de sua casa ao Colégio Vicente Rijo, onde lecionava e chamava a atenção dos alunos, que paravam para vê-la chegar dirigindo com elegância.
No ano 2000, a família vendeu o carro por R$ 1.500. Mas, quando souberam que a mãe tinha saudade dele, em 2012, os filhos dela, os dentistas Edmilson e Edilson Pelarigo Antônio, fizeram uma verdadeira investigação e acharam o Fusca em Curitiba. Compraram de volta por R$ 15.000. Valeu cada centavo, conforme relata Edmilson Pelarigo Antônio.
“Esse Fusca tem todo um apelo emocional, porque sempre foi um carro de família. A minha mãe o adquiriu em 1965 e, durante toda a trajetória da vida profissional dela, utilizou esse carro no dia a dia. Então, ele tem todo um histórico de vida que nos faz remeter a tudo o que vivemos com o carro.”
O irmão dele, Edilson, ressalta que ainda estão marcados nos bancos do Fusquinha sinais da história da família.
“Ele mantém o banco ainda original, da luta do dia a dia, de todos os anos em que esteve com a nossa família. Era o carro de trabalho da minha mãe e do meu pai. Então, ainda está presente o abaulamento dos bancos. E isso é legal, porque nos faz lembrar do dia a dia de luta da família.”
O engenheiro mecânico Claudemir Fernandes Farias já trabalhou na fábrica da Volkswagen, na Alemanha. Hoje, morando em Londrina, ele utiliza um Fusca fabricado em 1976, da cor marrom savana, para as suas atividades cotidianas. O pai dele, Cícero Fernandes Farias, tinha um Fusca. E o filho de Claudemir, Davi Fernandes Farias, que tem 18 anos, aprendeu a dirigir no carro. É paixão de pai para filho, conta o engenheiro mecânico.
“Meu pai teve um quando eu era criancinha, então acabou fazendo parte da infância. Hoje faz parte do meu dia a dia. A ideia é de continuidade. Meu pai teve, eu tenho e, se Deus quiser, vai passar para o meu filho, para os netos…”
Com sua experiência no ramo, questionado sobre por que os Fuscas resistem tanto, Claudemir tem a resposta:
“É outro conceito. Os automóveis eram feitos para durar.”
Já faz trinta anos, desde 1996, que nenhum Fusca é fabricado no Brasil, mas fica a impressão de que eles continuam a se multiplicar, principalmente na memória afetiva de quem já passou dos quarenta. É piscar e avistar um dos mais de sete mil que desfilam por Londrina.
Saiba mais sobre os Fuscas:
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O carro foi desenvolvido na Alemanha por Ferdinand Porsche.
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A fabricação comercial no país europeu começou em 1945.
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A partir de 1953, os Fuscas passaram a ser montados no Brasil, com todas as peças enviadas da Alemanha.
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Em 20 de janeiro de 1959, ficou pronto o primeiro Fusca totalmente fabricado no Brasil.
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A produção nacional foi ininterrupta até 1986.
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Entre 1993 e 1996, a Volkswagen retomou a fabricação a pedido do então presidente da República, Itamar Franco.
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No mundo todo, foram produzidos 21 milhões de Fuscas.
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Dos 7.110 Fuscas que rodam em Londrina, 4.528 têm motorização de 1.300 cilindradas, 1.266 têm motorização de 1.500 cilindradas, 484 são movidos por motores de 1.600 cilindradas, 469 são dos modelos mais antigos, com motorização de 1.200 cilindradas, e o restante possui motorizações diversas.


Os dentistas Edmilson e Edilson Pelarigo Antônio nos bancos que ainda têm o abaulamento da época de seus pais. Foto: Wilhan Santin




