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17 de julho de 2026Wilhan Santin
Redação Paiquerê
Há exatamente 51 anos, em 17 de julho de 1975, o povo de todo o Norte do Paraná foi dormir com frio.
A partir do meio da tarde, um vento gelado, vindo do Sul, começou a assoprar o frio da massa de ar polar que havia feito nevar em Curitiba horas antes.
Era o prenúncio de uma madrugada gelada. Em Londrina, houve uma certa correria até as lojas que vendiam cobertores antes que elas abaixassem as portas no fim do expediente.
Na imensidão da zona rural teve apreensão e agito. Mais de 1 milhão e oitocentos mil hectares do Norte paranaense estavam cobertos pelos cafezais. Era certo que haveria geada. Máquinas nebulizadoras entraram em ação na tentativa de criar uma cobertura de fumaça sobre as plantações, evitando que a energia acumulada no solo durante a dia se dissipasse para a atmosfera em noite estrelada, agravando os efeitos do frio nos pés de café.
Muitos produtores fizeram fogueiras em meio aos cafezais para gerar calor, mas não adiantou. A força da natureza era implacável.
A massa de ar polar que atingiu a região naquela madrugada prejudicou os mais de 900 milhões de pés de café que estavam plantados no Estado. O fenômeno ficou conhecido como geada negra, porque o vento intenso fez com que as seivas das plantas congelassem e elas ficassem pretas, como se tivessem sido atingidas pelo fogo. Em Londrina, a mínima registrada no abrigo foi de 3,5 graus negativos. Na relva, foram 9 graus negativos, segundo a agrometeorologista do IDR-PR Heverly Morais.
Quando aconteceu a geada, a safra de 1975 estava praticamente toda colhida e rendeu 613 mil toneladas. A safra de 1976, porém, seria quase zerada. Foram colhidas apenas 231 toneladas de café naquele ano, segundo relatório do agrônomo Hugo Godinho, do Deral.
No Estado de São Paulo, 200 milhões de cafeeiros foram atingidos, conforme registrou o jornal O Estado de São Paulo.
Desta forma, para sempre ficaria marcada na história de Londrina e de todo o Norte do Paraná a madrugada de 18 de julho de 1975, a data oficial da geada negra, que mudou os rumos da agropecuária da nossa região.
Foi quando a terra passou a ser tombada para receber as sementes das lavouras de grãos.
A famosa dupla Chitãozinho e Xororó também tem história com a geada de 1975. Naquele dia 18 de julho, eles estavam em turnê no Paraná, cantando em circos. Era o difícil começo de carreira.
Quando a massa de ar polar dizimou os cafeeiros, ninguém tinha ânimo, disposição e dinheiro para ver os jovens cantores. As arquibancadas ficaram vazias. Foi um fracasso. Para piorar a situação, partindo da região Oeste do Paraná para voltar a São Paulo, onde estavam morando, pararam em Londrina para uma breve refeição.
Enquanto se alimentavam em restaurante simples, Chitãozinho se descuidou da sacola com as poucas notas que haviam arrecadado e um larápio surrupiou o dinheiro. Eles não tinham nem como abastecer o carro para seguir viagem. Zé Tapera, cantor que fazia dupla com Teodoro, que mais tarde faria muito sucesso ao lado do Sampaio, foi o anjo que arranjou dinheiro para que os colegas pudessem seguir caminho.
Tristes, Chitãozinho e Xororó venceram centenas de quilômetros certos de que o melhor seria parar de cantar e arranjar outros empregos, afinal a família toda dependia da ajuda deles. Mas tocou no rádio do automóvel a música “Tente outra vez”, de Raul Seixas.
Eles realmente tentaram. O resto é história.




