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A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (10) a Operação Make Up, que investiga suspeitas de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares. Entre os alvos estão o deputado federal Mario Frias (PL-SP) e a empresária Karina Ferreira da Gama, ligada à produção de Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ao todo, são cumpridos 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal. Não há mandados de prisão.
A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), e realizada em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU). A investigação apura se recursos destinados a uma organização da sociedade civil foram posteriormente direcionados a empresas subcontratadas de forma irregular, sem comprovação da efetiva prestação dos serviços.
Segundo a PF, levantamentos financeiros identificaram movimentações de centenas de milhões de reais entre empresas relacionadas ao esquema investigado. A apuração envolve suspeitas de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios.
Emendas de Mario Frias
A investigação alcança R$ 2 milhões em emendas parlamentares destinadas por Mario Frias, em 2024, ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Gama. Os recursos foram pagos em 2025 e estão sob análise do STF. Uma das emendas, de R$ 1 milhão, teria sido destinada a um projeto de empreendedorismo no interior de São Paulo que, segundo a investigação, não foi executado.
Frias, que também participou da produção de Dark Horse como produtor-executivo e roteirista, nega irregularidades. Em manifestação apresentada anteriormente ao STF, afirmou que os recursos foram destinados a ações de finalidade social e que não foram utilizados na produção do filme.
Karina Gama também é proprietária da Go Up Entertainment, produtora de Dark Horse. O Instituto Conhecer Brasil e a Academia Nacional de Cultura, entidades ligadas à empresária, estão entre os alvos da operação.
A Polícia Civil de São Paulo já havia investigado a produtora e o ICB em outro procedimento, relacionado a suspeitas de irregularidades em um contrato de R$ 108 milhões firmado com a Prefeitura de São Paulo para instalação de pontos de Wi-Fi. Dados apreendidos naquela investigação foram posteriormente compartilhados com a PF por determinação de Dino.
Duas investigações no STF
A Operação Make Up não é a única investigação no STF relacionada ao financiamento de Dark Horse. Há outro inquérito, sob relatoria do ministro André Mendonça, que apura repasses privados associados ao banqueiro Daniel Vorcaro e à produção do filme. As duas investigações têm objetos diferentes.
No caso relatado por Mendonça, a apuração surgiu após a divulgação de conversas envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e Vorcaro. O inquérito busca esclarecer o caminho de recursos que teriam sido destinados ao filme por meio de um fundo sediado nos Estados Unidos. A Operação Make Up, por sua vez, concentra-se no possível desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares.
Na quarta-feira (9), Mendonça homologou a colaboração premiada do empresário Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro. Segundo informações apresentadas no acordo, uma empresa ligada a ele realizou sete transferências para o fundo Havengate, nos Estados Unidos, que somaram US$ 12,3 milhões em 2025.
As duas investigações seguem em andamento e, até o momento, as suspeitas apuradas pela PF não representam conclusão sobre a responsabilidade criminal dos investigados.




