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1 de outubro de 2026Wilhan Santin
Redação Paiquerê
Recebemos mensagem do ouvinte Nelson dos Santos, do Sítio Dois Irmãos, em Guarapuava. Ele diz: não entendo esta história de abelhas “europa” e abelhas “africanizadas”. Poderiam explicar?
Vamos lá, senhor Nelson. A história é longa, complexa e interessante. Vou tentar simplificar. No Brasil, até o século 19, predominavam as abelhas sem ferrão, amplamente conhecidas e presentes nas rotinas das tribos indígenas.
A espécie Apis mellifera, com ferrão, que chamamos de “abelha europa”, chegou oficialmente em 1839, trazida pelo padre Antônio Carneiro, com autorização do Imperador Dom Pedro II. As abelhas com ferrão produzem mais mel, em quantidade, do que as abelhas nativas.
Ainda no século 19, imigrantes alemães e italianos trouxeram abelhas com ferrão de seus países.
Saltando no tempo, em 1956, portanto há 70 anos, o professor-doutor Warwick Estevan Kerr conseguiu autorização do governo brasileiro para estudar as abelhas africanas, com o objetivo de melhorar a apicultura no Brasil.
Ele foi à África e voltou com 47 rainhas da espécie Apis mellifera scutellata, que é altamente produtiva quando falamos em mel, mas também muito mais defensiva, ou brava, como o pessoal costuma dizer no campo.
O doutor Kerr levou as abelhas para um bosque de eucaliptos no campus da Universidade Estadual Paulista (Unesp) no município de Rio Claro, interior de São Paulo.
O objetivo era fazer uma criteriosa seleção genética, isolando somente as rainhas mais mansas, para chegar a indivíduos produtivos que oferecessem poucos riscos aos humanos. Para isso, o local onde foram instaladas as abelhas africanas foi todo isolado com malhas, que não permitiam a saída das rainhas.
Porém, inadvertidamente, em 1957, um funcionário retirou as malhas e 26 rainhas africanas escaparam para a natureza. Elas cruzaram com zangões europeus e surgiu esta espécie híbrida que hoje temos no Brasil e muitos chamam de abelhas africanizadas, que são mais defensivas do que as europeias “puras”. Antigamente, eram chamadas até de abelhas assassinas.
Enfim, as abelhas híbridas, cruzamento das europeias com as africanas, se espalharam por todo o Brasil e por outros países da América Latina. A Embrapa Meio-Norte lançou, recentemente, o documento “Aspectos históricos da abelha africanizada e seus impactos na apicultura brasileira”.
Seu Nelson e todos os nossos ouvintes, para acessar gratuitamente esse material, basta ir ao site embrapa.br e clicar na aba publicações.
Em linha gerais, as abelhas com ferrão que hoje temos, são, praticamente, todas híbridas.
O fato é que estas abelhas africanizadas produzem bastante mel.
Obrigado, senhor Nelson, pela mensagem e continue sempre contando com a gente.
União Europeia
Foi concluído o relatório da Direção-Geral de Saúde e Segurança dos Alimentos (DG Santé) da Comissão Europeia. O documento foi elaborado depois de uma auditoria de uma missão que visitou estabelecimentos brasileiros que produzem carne de aves e outros produtos avícolas e mel e outros produtos apícolas.
Em resumo, o documento diz que não há impedimentos para que os produtos avaliados cheguem aos consumidores da Comunidade Europeia.
O Ministério da Agricultura e Pecuária solicitou a inclusão do relatório na pauta da reunião técnica do Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações (Scopaff) da Comissão Europeia, responsável pela decisão de liberar ou não a volta das exportações brasileiras, que vai acontecer nos dias 20 e 21 de outubro de 2026.
Quanto à carne bovina, ainda não há previsão de movimentos para a volta das exportações aos países do bloco europeu que está em vigor desde 3 de setembro.
Seguimos acompanhando essa situação aqui no Paiquerê no Agro
Safra de verão
O Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, fechou mais um relatório de acompanhamento da safra no Paraná.
Em relação ao milho de primeira safra, 72% da área de 371 mil hectares que serão ocupados com o cereal já receberam as sementes. A regional de Guarapuava é onde mais se planta o milho de verão no estado, com um total de 59.950 hectares, e 79% dessas terras já receberam as sementes.
Sobre a soja, que vai ocupar 5.742.798 hectares no Paraná, já está implantada em 28% dessa área. A regional de Toledo, que vem sofrendo com tempestades nesta semana, é a mais adiantada em relação ao plantio da oleaginosa, com 95% da área de 492 mil hectares já implantadas.
A regional de Londrina tem apenas 4% da área total de 333.640 hectares que vão receber soja já com sementes na terra.




