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5 de outubro de 2026Wilhan Santin
Redação Paiquerê
Atenção, sojicultor que ainda não começou o plantio. Com a janela de semeadura aberta, o produtor entra em uma fase decisiva da implantação da safra. E, justamente por isso, a pressa para plantar não deve fazer com que etapas importantes do manejo sejam deixadas de lado.
Antes de colocar a soja no solo, vale conferir: quais plantas daninhas estão presentes? Em que estágio elas estão? Há espécies de difícil controle? Existe histórico de resistência? Será necessário trabalhar com pré-emergentes ou outras estratégias?
São respostas que precisam ser consideradas antes da operação.
A presença de espécies como buva, caruru, capim-amargoso e capim-pé-de-galinha exige uma estratégia de manejo que considere não apenas a aplicação imediata de defensivos, mas também o histórico da área e a possibilidade de novos fluxos de emergência.
O caruru é um exemplo de como o problema pode se multiplicar quando o controle é tardio. Durante atividade técnica realizada no Centro Tecnológico Cocari, o professor Dr. Denis Biffe, pesquisador da área agronômica da Universidade Estadual de Maringá, alertou para a capacidade de produção de sementes da espécie e para a longevidade dessas sementes no solo.
Segundo o pesquisador, uma planta de caruru pode produzir até um milhão de sementes, que podem permanecer viáveis no solo por seis ou sete anos. O dado reforça a importância de evitar que plantas de difícil controle completem seu ciclo e produzam sementes.
A mesma lógica vale para outras espécies. Na buva, por exemplo, o avanço do desenvolvimento pode tornar o controle mais difícil. Por isso, identificar as plantas e agir no momento adequado é parte fundamental da estratégia.
As informações são da cooperativa Cocari e da Ocepar.
Carne bovina
A partir deste mês de outubro, a carne bovina brasileira pagará uma tarifa total de 67% para entrar no mercado chinês. Uma cobrança adicional de 55% se somará à tarifa regular de 12%, uma vez que o Brasil esgotou a cota anual de exportações estipulada pelo país asiático.
A medida preocupa frigoríficos e pecuaristas, que já avaliam antecipar abates e embarques para aproveitar a cota de 2027.
O Brasil atingiu o limite de 1,106 milhão de toneladas previsto para 2026. Para o próximo ano, a cota sobe para 1,128 milhão de toneladas, mas representantes do setor estimam que o novo limite possa ser alcançado em março ou abril de 2027.
O país asiático é o principal destino da carne bovina brasileira e ganhou espaço significativo nas exportações do setor na última década.
De 2016 a 2025, o Brasil enviou 8,2 milhões de toneladas de carne bovina à China, movimentando US$ 42,3 bilhões. O volume saltou de 164,9 mil toneladas, em 2016, para 1,6 milhão de toneladas, em 2025.
A concentração das vendas no mercado chinês aumenta a preocupação do setor com os efeitos da sobretaxa sobre o fluxo de caixa dos frigoríficos.
Diante da perspectiva de esgotamento rápido da próxima cota, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) discute a possibilidade de que as empresas antecipem a produção e os embarques:
- abates podem ser realizados ainda em outubro;
- embarques estão previstos para novembro;
- a viagem marítima entre os dois países leva de 40 a 45 dias;
- a expectativa é que a carne chegue à China em janeiro de 2027.
A estratégia permitiria utilizar a cota do próximo ano logo no início de sua vigência. O ritmo das compras chinesas, porém, também será determinante para os negócios.
Na verdade, tudo indica que teremos uma verdadeira corrida para vender o quanto antes aos chineses.
Mercado europeu
E se estamos próximos de voltar a exportar carne de frango e produtos apícolas para a União Europeia, a perspectiva para a carne bovina é ruim. Os europeus querem avaliar os controles brasileiros quanto ao uso de antimicrobianos durante um ciclo completo dos animais, que dura dois anos.
O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, classificou como “inaceitável”.
Seguimos acompanhando as tratativas aqui no Paiquerê no Agro.




