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15 de abril de 2026Erika Zanon
ExpoLondrina
A diversidade de temas e o olhar estratégico sobre o crescimento do mercado pet marcaram o V Simpósio de Pequenos Animais, realizado hoje (15) durante a ExpoLondrina. Promovido pela Sociedade Rural do Paraná (SRP), em parceria com o curso de Medicina Veterinária da Faculdade Cristo Rei (Faccrei), o evento reuniu especialistas para discutir desde o avanço comercial dos animais silvestres como pets até a profissionalização da gestão em clínicas veterinárias.
Coordenador da programação pet da feira, Luciano Vladimir Costa destaca que o simpósio acontece como uma extensão de conteúdo da vitrine comercial representada pela feira. “A necessidade de qualificar e capacitar o setor é cada vez maior, por isso retomamos o evento como um espaço para levar conhecimento a empresários, estudantes e profissionais dessa área”, afirmou Luciano, lembrando que em 2026 o simpósio está na quinta edição, mas ficou alguns anos sem ser realizado.
Para o professor Flávio Guiselli Lopes, coordenador do curso de Medicina Veterinária da Faccrei, o evento também cumpre um papel importante ao ampliar a percepção do público sobre a ExpoLondrina. “Além do agronegócio tradicional, o mercado pet está em ascensão e precisa estar inserido nesse contexto. O simpósio aproxima profissionais, acadêmicos e instituições, fortalecendo o setor e estimulando a profissionalização”, ressaltou.
Um dos destaques da programação foi a palestra do médico veterinário e biólogo Rafael Haddad, que abordou o crescimento do mercado de animais silvestres como pets, um segmento ainda recente, mas em franca expansão no Brasil. Segundo ele, além de representar uma alternativa econômica para produtores e uma nova área de atuação para profissionais, o setor exige responsabilidade e cumprimento rigoroso da legislação.
Haddad explicou que a criação legalizada depende de licenciamento ambiental e de rastreabilidade dos animais, garantindo origem regular e evitando crimes ambientais. Esse controle envolve diferentes etapas e exige acompanhamento constante, o que reforça a importância da qualificação dos profissionais que atuam na área. Entre os pets mais procurados, segundo ele, estão aves como papagaios e araras, além de répteis como tartarugas e serpentes, que têm ganhado espaço principalmente em centros urbanos, especialmente entre pessoas que buscam animais com menor demanda de espaço e manutenção.
O especialista também destacou que o crescimento do segmento impacta toda a cadeia produtiva, desde fábricas de ração e equipamentos até a formação acadêmica, que começa a se adaptar a essa nova demanda. Ao mesmo tempo, ele chamou atenção para a necessidade de conscientização dos tutores sobre a posse responsável. “É um mercado que cresce ano a ano e que demanda informação e preparo, tanto de quem cria quanto de quem adquire”, afirmou, ressaltando que a legalidade é um dos pilares para o desenvolvimento sustentável do setor.
Cresce mercado de gatos
O avanço do número de gatos no Brasil também esteve em pauta na palestra da especialista Roseli Tacioli, que há mais de 25 anos atua com felinos. De acordo com ela, o País já conta com cerca de 33 milhões de gatos, com crescimento médio de um milhão de animais por ano na última década. Esse movimento, conhecido como “felinização”, tem impulsionado novas demandas no setor e ampliado as oportunidades de atuação profissional.
Além de abordar o comportamento e os cuidados com os animais, Roseli chamou atenção para doenças específicas, como a Doença Renal Policística (PKD), mais comum em algumas raças, como a Persa. Segundo ela, fatores genéticos e características naturais da espécie contribuem para o desenvolvimento de problemas renais, o que exige atenção redobrada por parte de tutores e profissionais. A especialista também destacou a importância de práticas de manejo desde cedo, como adaptação ao banho, higiene e escovação, que facilitam o acompanhamento da saúde do animal ao longo da vida.
Outro ponto abordado foi a importância da observação no dia a dia, já que alterações na pele, no pelo ou no comportamento podem indicar problemas de saúde. Para ela, o crescimento do mercado felino também vem acompanhado de maior especialização, tanto na área veterinária quanto em produtos e serviços voltados exclusivamente para gatos, reforçando a consolidação desse nicho dentro do setor pet.
Gestão é desafio para clínicas veterinárias
O médico veterinário e empresário Emilio Borges Faria trouxe um alerta importante sobre a profissionalização do setor: muitos profissionais ainda não dominam a gestão dos próprios negócios.
Segundo ele, o Brasil conta com cerca de 177 mil veterinários registrados e aproximadamente 77 mil CNPJs ativos na área, entre clínicas, hospitais e profissionais autônomos. Apesar do volume expressivo, a maioria ainda carece de conhecimentos em gestão, liderança e vendas. “Não basta ser um excelente técnico. Se o profissional não entende de números e de gestão, o negócio não se sustenta”, afirmou.




