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9 de julho de 2026Wilhan Santin
Redação Paiquerê
As fecularias e indústrias de amidos modificados do Brasil registraram em 2025 avanços na capacidade instalada, no volume de moagem e no número de empregados diretos. Estes dados integram o levantamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, que é realizado, há mais de duas décadas, em parceria com a Abam (Associação Brasileira dos Produtores de Amidos de Mandioca).
A capacidade instalada cresceu pelo 5º ano consecutivo e somou 25,6 mil toneladas/dia em 2025, influenciada sobretudo por ampliações em algumas plantas. O porte das unidades concentra-se entre 225 e 450 t/dia. O Paraná respondeu por 65,6% da capacidade, seguido por Mato Grosso do Sul (19,8%) e São Paulo (7,9%); os 6,7% restantes ficaram com Santa Catarina, Bahia, Pernambuco e Alagoas. O número de empregados diretos nas fecularias chegou a 3.721 em 2025, alta de 7% em relação a 2024.
O esmagamento de mandioca pelas fecularias no ano passado atingiu recorde da série histórica do Cepea, totalizando 3,13 milhões de toneladas, alta anual de 5,5% – o aumento foi observado na maior parte das regiões acompanhadas.
A produção brasileira de fécula somou 686,03 mil toneladas em 2025, recuo de 0,5% frente ao ano anterior. O Paraná concentrou 67,6% do volume produzido, seguido por Mato Grosso do Sul (22,8%) e São Paulo (5,8%); a região Nordeste respondeu por 3,1% e Santa Catarina, por 0,7%.
Segundo pesquisadores do Cepea, o contraste entre a moagem recorde de raiz e a leve queda na produção de fécula reflete a menor taxa média de extração de amido pela indústria em 2025, ainda que o teor de amido nas raízes tenha superado o de 2024 na maioria dos meses do ano.
Apesar de a maior parte das unidades ainda se dedicar somente à fécula, manteve-se o movimento de diversificação.
O principal destino da fécula em 2025 foi o segmento de massas, biscoitos e panificação (26,7% do total), seguido por atacado/redistribuidores (10,8%), outras fecularias (10,2%), papel e papelão (6,4%), varejo (5,3%), frigoríficos (5,1%), tapioca semipronta (3,6%) e indústrias químicas (2,1%); os 29,8% restantes foram destinados a outros setores não identificados. Entre as empresas, 20,7% relataram exportações diretas de fécula – 29,8% das paranaenses e 22,2% das sul-mato-grossenses. Os estoques de passagem encerraram o ano em 54,3 mil toneladas, equivalentes a 7,9% da produção anual, ante 7,3% em 2024.
Expectativas para 2026
Levantamento do Cepea/Abam aponta que, para este ano, 57,4% dos respondentes esperam produção igual à de 2025; 29,4% projetam alta (média de 20,3%) e 13,2% preveem recuo (média de 12,8%). No agregado, a expectativa do setor é de crescimento de 15,5% na produção. Estimativas do Cepea indicam que, até maio deste ano, a produção de fécula somou 360 mil toneladas, 4,1% acima do mesmo período de 2025 – abaixo, portanto, do esperado pelo setor. Vale lembrar que a colheita e o esmagamento se concentram sazonalmente no 1º semestre.
REVOLUÇÃO PAULISTA
Há 84 anos, em 9 de julho de 1932, os paulistas pegaram em armas com a intenção de derrubar o governo de Getúlio Vargas. Eles esperavam que outros estados os apoiassem, porém isso não aconteceu e os soldados recrutados em vários municípios do Estado de São Paulo lutaram sozinhos contra as forças federais.
Aí nós temos um capítulo interessante do agro do Norte do Paraná. Londrina estava em seu início, com as primeiras famílias se estabelecendo na área rural e um aglomerado de casas de madeira formando o que viria a ser o núcleo urbano.
Com a guerra dos paulistas contra o governo federal, a Estrada de Ferro Paraná-São Paulo, que já chegava Cornélio Procópio, foi tomada pelos revoltosos. Houve batalhas no Norte Pioneiro do Paraná e a ponte pênsil Alves Lima, em Ribeirão Claro, foi dinamitada.
Tudo isso fez com que os demais meios de transporte se paralisassem e Londrina ficou isolada durante meses. Seus habitantes tinham que sobreviver exclusivamente do que a terra vermelha produzia. Felizmente, o solo, com toda a sua fertilidade, foi capaz de abastecer o povo com milho, arroz, feijão, hortaliças e legumes.
No entanto, o sal, para dar sabor aos alimentos virou artigo de luxo e quem tinha era privilegiado. O mar de cafezais ainda não estava formado, mas havia o suficiente para passar um cafezinho para começar o dia. O problema é que o povo gostava de adoçar com generosidade e não tinha açúcar. Produtores de rapadura de Sertanópolis fizeram sucesso. Os primeiros habitantes de Londrina iam até lá para buscar o produto para adoçar a vida, que a guerra queria deixar amarga.
A Revolução Constitucionalista se encerrou em 2 de outubro de 1932, com a derrota dos paulistas. Oficialmente, morreram 830 militares que defenderam São Paulo contra as forças federais. Não há estatísticas exatas sobre o número de baixas das tropas que defendiam o presidente Getúlio Vargas.
Como é bom viver em tempo de paz, sem guerras. Fica a nossa lembrança dos bravos primeiros habitantes de Londrina que, por mais de dois meses, tiraram da terra tudo o que o povo da região precisava para viver.




