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13 de abril de 2026Mariana Guerin
ExpoLondrina
A nutrição animal tem papel decisivo no desempenho produtivo, especialmente quando se trata de animais com alto potencial genético. O tema foi destaque na palestra “Como a nutrição animal pode acelerar o desempenho de animais de alto potencial genético”, realizada pelo médico-veterinário Ton Kramer na manhã desta segunda-feira (13), na Casa do Criador, dentro da programação técnica da ExpoLondrina.
Segundo o especialista, o avanço do melhoramento genético elevou significativamente o potencial produtivo dos animais, mas aumentou sua exigência nutricional e sensibilidade a fatores externos. “A nutrição é o que permite que o animal expresse todo o seu potencial genético. Sem isso, parte desse investimento simplesmente se perde”, afirmou.
Nutrição como estratégia
A palestra contemplou bovinos de corte, gado leiteiro, suínos e aves, reforçando que, apesar das diferenças entre os sistemas produtivos, o princípio é o mesmo: alinhar nutrição e genética para maximizar resultados.
Segundo Ton Kramer, nesse contexto, a nutrição deixa de ser vista apenas como custo e passa a ser tratada como ferramenta estratégica. “Isso porque representa cerca de 80% do custo de produção e é determinante para transformar potencial genético em desempenho real.”
Além disso, Kramer destacou que muitos animais não atingem seu máximo desempenho por falhas no manejo nutricional e pelas condições do ambiente. Fatores como clima, sanidade e qualidade dos insumos podem desviar nutrientes que deveriam ser usados na produção de proteína mas que acabam sendo consumidos pelo animal apenas para a manutenção da sua sobrevivência.
“Se nós não ajustarmos a forma de trabalhar a nutrição, não conseguiremos explorar todo o potencial dos animais. E isso tem impacto direto no resultado econômico da atividade”, reforçou o especialista.
Da nutrição básica à nutrição de precisão
A palestra também trouxe uma reflexão sobre a evolução da nutrição animal, que vem migrando de um modelo mais básico para uma abordagem de alta tecnologia, baseada em nutrição de precisão e nutrigenômica.
Esse conceito envolve o uso estratégico de ingredientes, aditivos e compostos específicos, como aminoácidos, doadores de metila e fitomoléculas, capazes de modular a expressão gênica dos animais. “Na prática, isso significa direcionar o metabolismo para maior deposição de carne, melhor eficiência alimentar e maior resistência ao estresse, especialmente o térmico”, explicou Kramer.
Essa “blindagem nutricional”, como definiu o especialista, ajuda a proteger o organismo contra inflamações e gastos energéticos desnecessários, garantindo que os nutrientes sejam convertidos em produtividade.
Saúde intestinal
Um dos pontos centrais da palestra foi a importância da saúde intestinal do animal, lembrando que o equilíbrio da microbiota intestinal é considerado hoje um dos principais pilares da produção eficiente.
Problemas sanitários, estresse e variações ambientais podem comprometer a absorção de nutrientes e reduzir o desempenho. Por isso, o uso de ferramentas como probióticos, moduladores metabólicos e aditivos nutricionais ganha cada vez mais relevância. “A saúde intestinal define o quanto o animal consegue transformar alimento em resultado. Sem isso, todo o resto perde eficiência”, ressaltou Kramer.
Impacto direto na rentabilidade
De acordo com ele, a magnitude da produção brasileira reforça o impacto dessas decisões. “Na avicultura, por exemplo, cerca de 25 milhões de frangos são abatidos diariamente no país, o que faz com que pequenas variações no custo nutricional gerem grandes impactos financeiros.”
Na pecuária de corte e leite, embora a escala seja diferente, chegando a 20 milhões de animais confinados este ano, o princípio é o mesmo. “Decisões nutricionais bem ajustadas resultam em maior produtividade, melhor desempenho reprodutivo e maior retorno econômico”, completou Ton Kramer.
Para alcançar esses resultados, o especialista reforçou a importância de acompanhamento técnico constante. Nutricionistas e consultores precisam estar atentos às variações de mercado, clima e disponibilidade de insumos, tomando decisões rápidas e estratégicas. “Quem consegue ajustar a nutrição de forma inteligente e no tempo certo aproveita melhor o potencial genético e garante maior eficiência produtiva”, afirmou.




