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14 de outubro de 2026Redação Paiquerê
Setembro de 2026 foi o mês com maior volume de chuvas em Londrina, desde 1997. No período, o índice de precipitação acumulada foi de 255 milímetros, 150% superior à média histórica de 102 milímetros, o que impacta diretamente a execução de vários serviços municipais em toda cidade.
O volume excessivo de chuvas acompanhado por fortes rajadas de vento é atribuído ao El Niño, fenômeno climático que aquece as águas do oceano Pacífico e influencia o clima em diversas partes do mundo. Com mais calor e umidade disponíveis na atmosfera, frentes frias passaram com mais frequência sobre todo o estado, e com maior intensidade, trazendo grandes acumulados de chuva.


Os dados coletados na estação meteorológica do Simepar (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná) corroboram o aumento expressivo de ocorrências da Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil (Compdec). De agosto ao início de outubro, a Defesa Civil registrou 368 atendimentos, contra 70 no mesmo período do ano anterior – crescimento de 525%.
Das 368 ocorrências atendidas nesse período, 150 eram relacionadas a destelhamento provocado por vendaval, além de 214 quedas de árvore. Dois casos de destelhamento relacionados a granizo, um deslizamento e um alagamento completam o relatório preliminar.
Desde o início do ano, a Prefeitura conta com um grupo multisetorial com foco no planejamento de ações para o enfrentamento do El Niño, entre 2026 e 2027. As atividades englobam o diagnóstico de áreas de risco e medidas a serem corrigidas. “Todas as secretarias do Município estão envolvidas direta ou indiretamente nas ações. O objetivo é minimizar os impactos causados pelos eventos climáticos extremos”, disse o coordenador-adjunto da Defesa Civil em Londrina, Eder Martins.


Ritmo lento e cronogramas em atraso
Além dos riscos à segurança e danos estruturais em imóveis, as chuvas intensas por um longo período dificultam o andamento dos serviços públicos, como é o caso da recuperação das estradas rurais, recapeamento asfáltico, reformas e construções. “Não estamos conseguindo atuar porque faz mais de 20 anos que não chove tanto em Londrina como está chovendo nesses (últimos) 40 dias. Quando a equipe sai para trabalhar e dar manutenção, consertar alguma estrada, se acaba chovendo de novo tem que voltar. A moledeira tem que estar bem seca para tirarmos as pedras, o cascalho e o moledo. A gente vai estar atento, e assim que tiver uma estabilidade e o tempo melhorar, as equipes vão sair para consertar onde está muito danificado”, contou o secretário municipal de Agricultura e Abastecimento, Jamil Janene.


Outro prejuízo considerável tem ocorrido no cronograma das obras executadas ou fiscalizadas pela Prefeitura, citou o secretário municipal de Obras e Pavimentação, Fábio Alves de Oliveira. “Com a chuva, a gente não consegue aplicar um asfalto no chão, não consegue ter secagem de uma concretagem, não consegue ter garantias de segurança para trabalhar, porque pode haver um desmoronamento. São fatores contraditórios com um dia a dia comum. Isso impacta muito no prazo e no custo da obra também, porque quanto mais tempo essa empresa permanecer no local, mais gera um custo para ela. E esse custo é repassado, até por reequilíbrio de preços e extensão de prazo. Mas, infelizmente, a gente fica de mãos atadas por questões climáticas, sem muitas alternativas nesse momento”, elencou.
E o efeito das chuvas contínuas e intensas sobre o asfalto ultrapassa a questão da manutenção preventiva e corretiva. Uma abertura pequena exposta ao grande volume de água e ao tráfego intenso pode aumentar consideravelmente em um prazo curto, às vezes até em um mesmo dia. “A infiltração da água no solo, nas bases asfálticas, vai amolecendo e, com o impacto dos pneus dos carros, causa uma espécie de sprint. O carro passa, pressiona e a água vaza. Essa água que espirra tira material sólido das trincas. Com isso, em um dia, um buraco aumenta três, quatro, até cinco vezes o tamanho que ele se originou. A gente tem trabalhado, intensificando as equipes nas ruas para poder conter o quanto antes, mas sofremos bastante porque a quantidade aumenta rápido demais”, admitiu Oliveira.


Prevenção é cuidar da cidade
Garantir que as galerias pluviais funcionem de forma eficiente na cidade é uma das frentes que a Prefeitura de Londrina mantém para prevenir alagamentos e infiltrações. Uma das obras em andamento envolve a construção do novo sistema de drenagem do Córrego Água Fresca, no fundo de vale que fica no Jardim Los Angeles, região oeste da cidade. Há muitos anos moradores da região pleiteavam essa melhoria. “A próxima obra que já está para começar será ali na Rodovia Carlos João Strass com a BR-369, que é o muro de gabião que vai conter todo o desmoronamento de terra. Essa mesma obra contempla reparos e ajustes das galerias pluviais das ruas que margeiam a 369”, acrescentou o secretário de Obras e Pavimentação.
Junto com as grandes obras de intervenção em pontos estratégicos, as equipes operacionais prosseguem com as ações de limpeza, que afetam diretamente o sistema de drenagem na cidade. Limpeza, varrição e roçagem são executados por equipes da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), mesmo quando chove. O trabalho só é suspenso se as tempestades estiverem intensas, diferentemente da coleta seletiva. Esse serviço é efetuado regularmente, mesmo em condições climáticas extremas.
Nesses momentos, a colaboração dos londrinenses é primordial. A recomendação é colocar o lixo em sacolas fechadas e, de preferência em lixeiras, somente no dia da coleta e próximo ao horário de passagem dos caminhões. Esses atos simples evitam que os resíduos sejam levados pela chuva até as bocas de lobo e bueiros, causando entupimentos.
“O maior causador de entupimento hoje é o lixo causado pelo ser humano. São restos de pneus, de obras, lixos comuns do dia a dia, papel toalha, embalagens plásticas; 95% dos entupimentos acontecem por causa desse tipo de material. Então a gente pede a conscientização de todos. Se você está fazendo a sua parte, mas está vendo alguém não fazer, denuncie. A gente tenta fazer a nossa parte e tem que conscientizar as pessoas que não fazem”, disse o secretário municipal de Obras e Pavimentação.
Solicitações de limpeza de bueiros e outras demandas relacionadas à Prefeitura podem ser feitas pelo aplicativo Londrina ON, disponível para download gratuito em celulares com sistema Android e iOS.


Maior El Niño da história
Em balanço emitido na última quinta-feira (8), com base nas previsões de institutos internacionais, o Simepar alerta que a intensidade do fenômeno ainda irá subir até novembro, e ele permanecerá ativo até, pelo menos, março de 2027. No Paraná, o principal impacto esperado é o aumento no volume de chuvas, seguido pelos valores de temperatura, que podem chegar a 3,3°C acima da média entre novembro e janeiro, configurando esse como um dos El Niños mais fortes de todos os que já foram registrados.
O meteorologista do Simepar Lizandro Jacóbsen reforçou que, no início da primavera, houve aumento das chuvas em todo estado, e a projeção para os próximos meses é de uma maior intensificação do fenômeno, o que impacta diretamente a região sul do Brasil. “Ou seja, o prognóstico de chuva acima da média continua previsto para todo Paraná. Em especial para o norte, a chuva vai continuar com esses volumes um pouco mais excessivos e uma maior frequência também de tempestades, podendo ter alguns transtornos em função das rajadas de vento e incidência de granizo. Ainda temos esse acompanhamento e essa preocupação para os próximos meses, principalmente outubro e novembro, meses que terão mais impacto sobre tempestades. Mas a chuva em si continua sendo esperada acima da média, pelo menos até o início do verão”, apontou.
Jacóbsen complementou que o excesso de chuvas pede acompanhamento contínuo e medidas de prevenção, já que também é maior o risco de deslizamentos e transbordamento de rios. “É muito importante que a população sempre acompanhe os alertas meteorológicos emitidos pela Defesa Civil do Estado e acompanhe também essa questão de monitoramento, pois a incidência de chuva é mais frequente nesses próximos meses”, aconselhou.
Com Ncom




