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18 de junho de 2026Wilhan Santin
Redação Paiquerê
Em 18 de junho de 1908, o navio Kasato Maru aportou em Santos. A bordo dele estavam os primeiros imigrantes nipônicos, mais precisamente 781 pessoas, que foram diretamente para as lavouras de café do Estado de São Paulo, as quais demandavam muita mão de obra. O café era a vedete agrícola do Brasil.
Nos cafezais paulistas, os japoneses trabalham com garra e disciplina e, nas décadas seguintes, conseguiram ter capital para iplantar em outras terras.
É o caso da Família Uemura, que contribuiu para revolucionar a agricultura em Mauá da Serra.
O patriarca Yukio Uemura se estabeleceu primeiro em Álvares Machado, no interior de São Paulo. Nos anos 1950, passando por Londrina, ouviu falar da nascente Mauá da Serra, onde havia terras à venda por preço atrativo, conforme contou ao Paiquerê no Agro a agricultora e engenheira agrônoma Vivian Uemura (ouça o áudio completo acima).
Aos filhos, Yukio passou lições de trabalho e empreendedorismo. Eles foram fundamentais para que o Sistema Plantio Direto se consolidasse na região. Yukimitsu Uemura, avô de Vivian, foi um dos primeiros a acreditar no sistema. O pai dela, Ademar Uemura, deu continuidade ao trabalho. Com muita dificuldade, transformaram o solo. Agora, a própria Vivian dá continuidade ao trabalho, honrando o que aprendeu na academia e em outras experiências profissionais, mas, sobretudo, com o pai e o avô.
LONDRINA
Para Londrina, os japoneses também foram importantíssimos. Vamos lembrar que, capitaneados por Hikoma Udihara, agente da Companhia de Terras Norte do Paraná, eles foram os primeiros compradores de lotes rurais no então Patrimônio Três Bocas, verdadeiro sertão do Norte do Paraná naquele tempo. Entre 1933 e 1940, 638 famílias japonesas adquiriram lotes da Colonizadora de capital britânico. Somente italianos e brasileiros compraram mais terras naqueles primórdios da região.
BRASIL
Os japoneses foram muito importantes para a agricultura do Brasil inteiro. Eles desenvolveram os cultivos de hortaliças, introduziram a aprimoraram muitas culturas de frutas, destacaram-se no café, e aqui a nossa reverência ao amigo, cafeicultor e pesquisador Tumoru Sera, que nos deixou recentemente, e ajudaram a revolucionar o cultivo de grãos, como a soja e o milho. Isso sem falar dos ovos e dos frangos.
O engenheiro agrónomo George Hiraiwa, atual presidente do Conselho de Administração do Sicoob Ouro Verde, costuma lembrar que até a juta, planta que fornece uma fibra têxtil, os imigrantes japoneses e seus descendentes desenvolveram, no Estado do Amazonas.
Os sacos para a exportação do café do Brasil nos anos dourados da cultura, entre 1950 e 1970, eram feitos da juta fornecida pelos agricultores japoneses
MILHÕES
De acordo com a embaixada do Japão no Brasil, hoje temos 2,7 milhões de descendentes de japoneses vivendo no em nosso País. E eles continuam nos dando exemplos de disciplina, trabalho e inteligência.




