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29 de junho de 2026Wilhan Santin
Redação Paiquerê
No calendário da Igreja Católica, 29 de junho é dia de São Pedro e São Paulo. Para quem gosta da música sertaneja, a data também é especial, porque há 80 anos, em 29 de junho de 1946, nascia o cantor José Rico, em São José do Belmonte, no Pernambuco.
Ainda criança, aos dois anos de idade, ele se mudou com a família para Terra Rica, no Noroeste do Paraná. E para sempre, em muitas entrevistas, ao contar a sua história, o artista destacaria que foi criado em Terra Rica, “num cantinho do Paraná”, como dizia.
Aliás, foi por causa do nome da cidade e de um sábio padre que ele, de nome de batismo José Alves dos Santos, adotou o nome artístico de José Rico. Ao vê-lo, ainda garoto, cantando com muita afinação e talento na igreja, o sacerdote o chamou e deu a dica: adote o nome de José Rico e terá sucesso.
De Terra Rica, José Rico seguiu o seu caminho. Já moço, morou durante um tempo em Caixa de São Pedro, distrito de Apucarana, no Norte do Paraná. Era trabalhador, aceitava serviços da lavoura e da área urbana, também se destacava no futebol e, claro, era apaixonado pela música. Da terra vermelha, José partiu para a capital paulista em busca do sucesso.
Foi lá que conheceu Romeu Januário de Matos, o Milionário. Cantando pelas estradas da vida, Milionário e José Rico tiveram em Londrina uma importante e definitiva passagem do início de carreira.
Eles moraram em um hotel da cidade durante alguns meses. E foi na antiga Rádio Difusora que eles gravaram uma fita de rolo de demonstração, a qual um desconhecido levou para uma gravadora de São Paulo.
Depois dessa gravação, os artistas passaram meses cantando em sítios e fazendas do Oeste do Paraná, com carroças servindo de palco para plateias de catadores de algodão. Quando voltaram a Londrina, foram avisados que a gravadora estava os procurando. Embarcaram no primeiro ônibus da Viação Garcia. Em 1970, Milionário e José Rico conseguiram gravar o primeiro disco.
Sempre de óculos escuros para disfarçar as pálpebras caídas em um dos olhos, com vasta cabeleira, muitos adereços, como anéis e unhas pintadas, mas, sobretudo, com uma voz inigualável, José Rico chamava a atenção aonde chegava.
Com muito domínio de palco e uma das mãos na orelha para ter melhor retorno do som em um tempo sem tecnologia, ganhava a simpatia de todos.
Em 1977, a música Estrada da Vida, composição do próprio José Rico, estourou em todo o Brasil, virou filme e alçou a dupla ao estrelato.
Extremamente educado, o cantor não falava palavrões e tinha uma dicção que impressionava para quem vinha do interior do País. Católico, costumava rezar e tinha as suas manias.
Todas as vezes que foi questionado, ele sempre saiu pela tangente sobre o imenso castelo que nunca parou de construir, em Limeira, no interior de São Paulo. Era enorme, com mais de 100 quartos, e José Rico não explicava o motivo de tanta grandeza para um homem de jeito simples. A obra jamais foi concluída e hoje está abandonada.
De riso fácil, não se importava com as piadas sobre a sua aparência. Ele sabia que, cantando, tornava-se bonito por causa de seu talento. Era um homem que irradiava vida.
O mais paranaense dos nordestinos que viveram em nosso Estado, José Rico construiu uma grande carreira, ao lado de Milionário. Mas, como ele escreveu, a estrada um dia termina e, em 3 de março de 2015, na cidade de Americana, o final da corrida chegou.




