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30 de julho de 2026Wilhan Santin
Redação Paiquerê
Dizem que, do boi, depois do abate só não se aproveita o berro. Isso é verdade, como comprova o anúncio feito pelo Ministério da Agricultura e Pecuária quanto à formalização de acordo com a China para que o país asiático compre cálculos biliares de bovinos brasileiros.
É isso mesmo: os chineses vão comprar as pedras das vesículas dos nossos bois. Também conhecidas como “pedras de boi” ou “pedras de fel”, elas são muito valiosas na Ásia, pois, na medicina tradicional chinesa, são utilizadas para tratamentos de diversas doenças.
Os cálculos biliares são formados por excessos de sais e cálcio na vesícula do animal e não tem nenhuma influência na qualidade da carne. Em torno de 1% a 2% dos bois e vacas apresentam as pedras, que geralmente são descobertas no frigorífico, após o abate, quando as vesículas são inspecionadas e peneiradas.
As pedrinhas costumam ser bem pequenas e, justamente por serem raras, são valiosas. Um grama, vale 75 dólares. Isso significa que um quilo de cálculos biliares bovinos tem o valor de 75 mil dólares.
Por causa de seu grande rebanho comercial, o Brasil é o maior produtor do mundo das “pedras de boi”, com aproximadamente dois mil quilos por ano, o que corresponde a 40% do volume global.
Japão, Hong Kong e Coreia do Sul já eram bons clientes para esse produto inusitado. Agora, os chineses também estão no balcão de negócios.
Atenção, pecuarista. De repente, você tem no pasto um animal que vale mais pelas pedras na vesícula do que pelo filé mignon. O mundo do agro é realmente impressionante.
VÁLVULAS CARDÍACAS
Já que falamos das pedras das vesículas bovinas que servem à medicina tradicional chinesa, vale lembrar que os pericárdios bovinos, as membranas dos corações de bois, servem para a fabricação de válvulas cardíacas que são implantadas em corações humanos para substituir válvulas doentes.
Tecidos suínos também são utilizados para produzir válvulas cardíacas que salvam as vidas de humanos.
CAFÉ ON
Começa amanhã, dia 31 de julho, em Maringá, a 3ª edição do CA FÉ ON.
Com o título “Made in Paraná – do Paraná para o Mundo”, o evento vai reunir estandes de municípios produtores e de associações, indústrias, cafeterias, torrefadoras, espaço gastronômico, grade de palestras e capacitações sobre vários temas, exposições voltadas à história da cafeicultura no Paraná e apresentações culturais.
Promovida em parceria pela TheGreat, de Curitiba, e a Para Elos, de Maringá, a iniciativa conta com o apoio do governo do estado por meio das Secretarias de Cultura e do Turismo, do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR/Paraná), Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP) e Prefeitura de Maringá, entre outros, além da presença e o respaldo da Associação Brasileira da Indústria do Café (ABIC).
O evento de estendE pelo fim de semana, nos dias 1 e 2 de agosto de 2026, nas antigas Instalações do Instituto Brasileiro do Café (IBC), hoje Maringá Tech, Av. Centenário, 116. Para quem gosta de café ou trabalha na área, é imperdível.
VINHETA
Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) está otimista quanto à possibilidade de o Brasil continuar exportando frango para a União Europeia.
Segundo ele, uma missão da Europa vai visitar produtores brasileiros no fim de agosto para comprovar que estamos cumprindo as regras que o bloco europeu impôs para a utilização de antimicrobianos nas aves.
Os europeus demandam que o Brasil assegure que produtores brasileiros não usam promotores de crescimento na produção animal nem antibióticos de uso humano.
Apesar do prazo curto entre a esperada missão europeia à cadeia brasileira, no fim de agosto, e a data a partir da qual passa a valer a exclusão do Brasil da lista de países autorizados a exportar ao continente europeu – 3 de setembro -, Santin disse acreditar ser possível o país receber autorização do bloco para exportar carne de frango.
Esperamos que realmente seja assim. É uma boa notícia.




