


Fiscalização aborda 122 pessoas e apreende 12 veículos em Londrina
30 de setembro de 2026


Novas tecnologias levam Justiça Eleitoral a reforçar regras de votação
30 de setembro de 2026Redação Paiquerê
A Prefeitura de Londrina prevê encerrar 2026 com um déficit de R$ 205 milhões e anunciou, na terça-feira (29), um Plano de Contenção e Reequilíbrio Fiscal para tentar tirar o município do vermelho. As medidas envolvem redução e revisão de despesas, aumento da arrecadação e mudanças na operação do transporte coletivo.
O plano foi apresentado pelo prefeito Tiago Amaral em entrevista coletiva, ao lado do secretário de Fazenda, Éder Pires, do secretário de Planejamento, Marcos Rambalducci, e do presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Renan Salvador.
Segundo a administração, a atual gestão assumiu, em 2025, um rombo orçamentário estimado em R$ 300 milhões. Desse total, R$ 220 milhões teriam sido equacionados ao longo do ano passado por meio de medidas como contingenciamento de contratos, revisão de horas extras, priorização das férias dos servidores, otimização da frota, redução de imóveis alugados e venda de imóveis considerados subutilizados.
Em 2026, o controle das despesas teria gerado uma economia de R$ 40 milhões até o momento. A Prefeitura também cita medidas para ampliar a arrecadação, como o Regulariza Londrina, recadastramento imobiliário, negociação e cobrança de dívidas, auditoria do ISS e revisão da taxa de coleta de lixo.
Apesar das ações, a administração afirma que a situação financeira continua pressionada pela queda na previsão de receitas. Segundo os dados apresentados, Londrina terá R$ 124 milhões a menos em repasses relacionados ao IPVA, Fundeb e Imposto de Renda.
Transporte consome R$ 177 milhões em subsídios
Um dos principais pontos do plano envolve o transporte coletivo. A previsão da Prefeitura é gastar R$ 177 milhões em subsídios ao sistema em 2026. O custo total da operação neste ano está estimado em R$ 312,9 milhões, o que significa que aproximadamente 47% seriam bancados pelo município.
O valor do subsídio vem crescendo nos últimos anos. Foram R$ 37 milhões em 2022, R$ 66 milhões em 2023, quase R$ 83 milhões em 2024 e R$ 172 milhões em 2025.
Segundo a Prefeitura, o aumento registrado a partir de 2025 ocorreu depois da elevação da tarifa técnica de R$ 8,33 para R$ 11,84, em dezembro de 2024, sem alteração da tarifa paga pelos passageiros.
Tiago Amaral criticou o impacto do subsídio sobre as contas municipais e afirmou que o valor autorizado em dezembro de 2024 seria suficiente, segundo a comparação apresentada pela administração, para manter 30 UPAs ou 23 escolas funcionando durante um ano.
Linhas com baixa demanda terão menos viagens
A Prefeitura também pretende reduzir a quantidade de viagens em linhas consideradas deficitárias e ampliar os intervalos entre os ônibus. Não está prevista a retirada de linhas do sistema, segundo a administração.
As gratuidades também serão mantidas, assim como as 31 linhas classificadas como de políticas públicas.
Dos 146 itinerários existentes, 25 geram, segundo os estudos apresentados, um prejuízo de aproximadamente R$ 75 milhões por causa da baixa demanda. Outras 69 linhas não conseguem cobrir metade dos custos de operação. Apenas nove são consideradas superavitárias.
Outro dado apresentado pela Prefeitura aponta que o sistema precisaria transportar, em média, 2,07 passageiros por quilômetro rodado para atingir um nível considerado financeiramente saudável. Em Londrina, a média é de 1,23 passageiro por quilômetro nos dias úteis. Aos sábados, cai para 0,82 e, aos domingos e feriados, para 0,43.
O presidente da CMTU, Renan Salvador, afirmou que todas as linhas passarão por estudos e que a intenção é reduzir a circulação de ônibus com baixa ocupação, principalmente aos domingos e feriados.
Prefeitura fala em novas medidas
O secretário de Fazenda, Éder Pires, afirmou que o contingenciamento não será aplicado de maneira uniforme. A Prefeitura pretende analisar contratos e operações individualmente para definir onde haverá redução ou manutenção de despesas.
Na área da Educação, ele citou a revisão do pagamento de horas extras. Segundo Pires, havia casos de professores que recebiam até R$ 14 mil mensais em horas extras. O teto atualmente adotado é de R$ 4,5 mil.
A administração também afirma que despesas assumidas em anos anteriores, sem previsão orçamentária, continuam pressionando o caixa. Entre os exemplos citados estão os repasses relacionados ao transporte coletivo e os pagamentos à Caapsml.
De acordo com a Prefeitura, o problema das contas municipais é resultado de um processo acumulado ao longo de vários anos. A administração cita, inclusive, os exercícios de 2017 e 2018, quando as despesas correntes teriam superado a arrecadação.
O plano prevê que as medidas sejam reavaliadas em 120 dias, com possibilidade de novas ações caso os resultados considerados necessários não sejam alcançados.
Apesar do cenário fiscal, a Prefeitura afirma que Londrina recebeu quase R$ 1 bilhão em recursos do Governo do Paraná desde 2025, dos quais R$ 279 milhões já estão em execução por meio de convênios formalizados, sem utilização do caixa livre do município.
Segundo a administração, o objetivo das medidas apresentadas nesta terça-feira é eliminar o déficit projetado de R$ 205 milhões e recuperar o equilíbrio financeiro do município.




