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Redação Paiquerê
O aquecimento das águas do Oceano Pacífico vai atingir níveis históricos no segundo semestre de 2026. A temperatura deve alcançar três graus acima da média e permanecer nesse patamar por toda a próxima safra de verão, segundo projeção do Centro do Previsão Climática (CPC), dos Estados Unidos.
No entanto, o clima não se comportará como tradicionalmente acontece em anos de El Niño. A presença de uma grande mancha de águas frias no litoral da Argentina e do Uruguai, a exemplo do que ocorreu no outono deste ano, vai seguir favorecendo a formação de ciclones que impulsionarão ar frio em direção ao continente. Com isso, massas de ar polar provocarão vários eventos de quedas de temperatura, o que é incomum em anos de El Niño. O ar mais frio e seco também pode amenizar o excesso de chuvas no sul do Brasil.
Estas informações foram repassadas ao Paiquerê no Agro pelo Sistema Ocepar. Estaremos de olho nas próximas projeções e previsões climáticas para os próximos meses.
VBP
A estimativa do Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) em agosto é de R$ 1,403 trilhão, de acordo com levantamento da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O indicador representa o valor da produção agropecuária dentro das propriedades rurais e considera o desempenho das lavouras e da pecuária.
Do total estimado, as lavouras respondem por R$ 894,1 bilhões, o equivalente a 63,7% do VBP. A pecuária representa R$ 509,1 bilhões, ou 36,3% do valor total.
Entre os produtos agrícolas, a soja permanece na liderança, com valor estimado em R$ 340,6 bilhões, correspondente a 24,3% do VBP. Na sequência, aparecem o milho, com R$ 158 bilhões (11,3%), a cana-de-açúcar, com R$ 106,3 bilhões (7,6%), e o café, com R$ 102,9 bilhões (7,3%).
Na pecuária, a carne bovina apresenta o maior valor estimado, de R$ 249,2 bilhões, equivalente a 17,8% do VBP. A carne de frango aparece em seguida, com R$ 107,4 bilhões (7,7%).
LEITE
Os custos da pecuária leiteira apresentaram leve alta em agosto, influenciados pelos aumentos nos preços do concentrado e nos de suplementação mineral. O Custo Operacional Efetivo (COE) registrou elevação de 0,63% na “Média Brasil” de julho para agosto. Dentre as praças acompanhadas pelo Cepea, o Rio Grande do Sul registrou o avanço mais expressivo do COE no período, de 1,38%.
POLÍTICA
No último fim de semana, muitos ouvintes me enviaram o link de um podcast, o Market Makers, que entrevistou o professor sênior do Insper Marcos Jank. Até o diretor da Paiquerê 91,7, JB Faria, me mandou este link.
Todo mundo ficou preocupado com o tema do podcast, “A tempestade perfeita que pode destruir o agro brasileiro”, e alguns pediram a nossa opinião.
Para quem não assistiu, Jank falou sobre clima, as guerras entre Estados Unidos e Irã e entre Rússia e Ucrânia e as dificuldades estruturais e logísticas do Brasil, além dos juros elevados.
O que eu vejo de mais importante nisso tudo. Quem é agropecuarista sabe que o clima a gente não controla, então é preciso estar atento aos seguros. Quanto às guerras, que dificultam a logística dos fertilizantes, também não podemos fazer muito. Um remédio é buscar alternativas para depender cada vez menos das importações.
Neste momento, o que podemos e devemos fazer, é pressionar muito aqueles que forem eleitos em outubro para que o Brasil tenha uma política fiscal responsável, independentemente de quem for o Presidente da República.
Se o governo federal continuar gastando mais do que arrecada, os juros sempre estarão altos, e isso é péssimo para quem sempre depende de financiamento, além de afastar investidores e não permitir avanços na infraestrutura, principalmente em ferrovias e rodovias, que são urgentes para melhorar a logística.
Assim que passarem as eleições de outubro, temos que pressionar os eleitos, principalmente os senadores e deputados federais, para que eles cumpram o dever de fazer com que o presidente da vez governe com responsabilidade. O momento é o ideal, porque eu tenho certeza que muitos candidatos passaram pelas lavouras.
Converse com seu sindicato rural, com a sua cooperativa, com os seus grupos. Não podemos fazer chover mais ou chover menos, mas devemos exigir decência e responsabilidade.
Um governo irresponsável nos seus gastos é ruim para todo mundo, não é só para o agro. O País vai ficando mais pobre e vai chegar a um ponto que não haverá mais benefícios sociais que resolvam. Temos que olhar com seriedade para isso.
Desculpe o longo editorial, mas ele era necessário por causa das mensagens que recebemos.
Faz anos que estamos produzindo e sobrevivendo, mas é um momento importante para exigirmos dos nossos políticos o mínimo necessário de decência e eficiência.




