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14 de abril de 2026Vitor Ogawa
ExpoLondrina
A 64ª ExpoLondrina 2026 reserva um espaço de destaque para a cachaça de alambique, com produtores artesanais vindos de São Paulo e de várias regiões do Paraná. No pavilhão Expo Sabores, os visitantes podem degustar e adquirir cachaças brancas, envelhecidas em madeiras brasileiras (amburana, bálsamo, grápia, cerejeira) e em carvalho americano e francês, além de licores de frutas como butiá, jabuticaba, figo, maracujá e sabores como doce de leite, paçoca, café e amarula. Os preços variam de R$ 30 a R$ 250, dependendo do envelhecimento e da embalagem.
No estande do Alambique Pioneira (Socorro/SP) a produção de cachaça é uma tradição familiar de 40 anos. Isadora Vaz de Lima, neta do fundador, ressaltou que a empresa familiar localizada na cidade de Socorro (circuito das águas de São Paulo) nasceu da tradição dos avós, tios e primos. O carro-chefe da casa é a cachaça “Na Cana”, lançada há quatro anos.
“É uma cachaça curtida, mais suave do que as outras”, explica Isadora ao mostrar a garrafa com pedaços de cana-de-açúcar dentro. A linha inclui ainda a prata normal de alambique (R$ 50), a envelhecida em carvalho americano Dom João (R$ 249), que recebeu medalha de ouro e prata em premiações no estado de São Paulo, e a cachaça Amburana (R$ 60). A prata também foi premiada no Festival da Cachaça de Jandaia do Sul (PR), onde a empresa retornará em alguns dias. Os licores da Alambique Pioneira – maracujá, doce de leite, paçoca (lançamento deste ano), café, jabuticaba, milho e amarula – são vendidos a R$ 40 a garrafa de 375 ml ou R$ 75 o kit com duas. Os preços das cachaças variam conforme o tamanho: 690 ml por R$ 50, 900 ml por R$ 60 e 225 ml por R$ 30.
A Microdestilaria Bassi (Santa Mariana/PR) nasceu de ex-cafeicultores que precisavam contornar a crise dos anos 1970 e a geada de 1975. Evandro Silva Eto, da Microdestilaria Bassi, conta que a história começou em 1980, quando o patriarca Paulo Bassi fundou a empresa para buscar nova fonte de renda. “Com a geada de 75, eles começaram a buscar outras atividades para remunerar a propriedade”, relembra Evandro. Hoje, ele e a esposa (neta do fundador) assumiram 100% do negócio desde 2016. Evandro explica que quem produz a cachaça é chamado de “mestre cachaceiro” – um termo muitas vezes usado de forma pejorativa, mas que designa o profissional que fabrica a bebida, assim como o cervejeiro.
A destilaria trabalha com cachaça branca e envelhecida em madeiras brasileiras (amburana, bálsamo, cabriúva e cerejeira) e estrangeiras (carvalho americano e francês). “A partir de um ano você já pode vender como cachaça envelhecida. A partir de três anos, como cachaça premium”, detalha Evandro. O tempo pode chegar a 12, 15 ou 20 anos, similar aos whiskies single malt. Além da produção própria (marcas Bassi e Herança), a empresa faz white label (terceirização) para outras marcas, como a Rover (cachaça extra premium envelhecida três anos em carvalho e finalizada em barril de cerveja preta, a R$ 190). Os preços da linha Bassi variam de R$ 30 a R$ 90 (garrafas de 50 ml a 1 litro), e os licores de crema de limoncello e creme de café saem por R$ 90.
Sobre o processo artesanal, Evandro destaca a diferença entre destilação industrial (em colunas) e a artesanal (em alambique de cobre ou pot still). “No destilador artesanal você consegue separar a cabeça (descartada por conter metanol e álcoois voláteis nocivos), o coração (parte nobre) e a cauda (usada para álcool combustível ou cosméticos)”. Quanto à filtragem, ele explica que não é obrigatória: “A própria destilação já traz o produto praticamente filtrado. A filtragem serve apenas para retirar partículas de madeira após o envelhecimento em barris”. Para degustar bem uma cachaça, Evandro recomenda colocar uma pequena porção na boca, deixar diluir sem agredir as mucosas, e no segundo gole avaliar sabor, amargor e doçura. A destilaria fica em Santa Mariana (PR), próximo a Cornélio Procópio e Bandeirantes.
No Rancho Urutau (Guaraniaçu/PR) os produtores cultivavam grãos, mas acabaram destilando cachaça e investiram no turismo rural. Sérgio Accorsi, do Rancho Urutau, veio de Guaraniaçu (PR) para expor cachaça envelhecida e licores. Ele conta que a propriedade era produtora de soja, milho e feijão. “Partimos para a produção da cachaça para ter um diferencial na propriedade. Estamos indo para o turismo rural, são vários ramos para agregar valor”, explica. Em quatro ou cinco anos, já consegue equilibrar as receitas e acredita que em breve a cachaça e o turismo serão a principal fonte de renda.
Sérgio oferece cachaça branca (R$ 60, 700 ml) e envelhecidas: carvalho (três anos), amburana (um ano) e grápia (quatro anos), com preços de R$ 60 a R$ 90, em garrafas de 700 ml e 500 ml. A cachaça mais vendida na feira é a de carvalho, e o licor de butiá lidera entre os licores. Os licores de butiá, jabuticaba, figo, cravo e canela custam R$ 40 por 700 ml. As embalagens diferenciadas com saquinho e barbante são opções para presente. Sérgio dá a dica de degustação: “Saborear, segurar a bebida um pouco na boca para sentir o aroma. Nossa cachaça não é ácida, a pessoa não sofre para ingerir”.
Jefferson Faustino, proprietário da Cachaçaria Sítio Alvorada, localizada em Quedas do Iguaçu (PR), também integra a mostra de produtores artesanais. Ele conta que a história da cachaça está na família de sua esposa há 40 anos. “Eu e ela assumimos o alambique há oito anos (agora completaremos nove). Iniciamos um novo empreendimento, com alambique todo novo, e esta será a nona safra”, explica. O avô dela já produzia cachaça desde que a família veio do Rio Grande do Sul para Quedas do Iguaçu. Antigamente, a bebida era destinada ao consumo próprio e para vizinhos e amigos, consorciada com o plantio de soja e grãos. Hoje, a cachaça se tornou a renda principal da família.
O Sítio Alvorada trabalha com cachaças envelhecidas em barris de amburana, carvalho, sassafrás, cabriúva e jatobá. O tempo médio de envelhecimento no carvalho é de dois anos, mas há uma safra especial com oito anos no barril de carvalho, que participou da Expo Cachaça em Minas Gerais e conquistou a medalha de mérito sensorial. Na amburana, o envelhecimento médio é de um ano. Após a destilação, a cachaça passa por uma filtragem para correção de cobre (se necessário) e depois por mais três filtros para reter impurezas.
A linha de licores inclui sabores de figo, menta, banana, jabuticaba e canelinha. Os preços são os seguintes: garrafa tradicional safra 2024 (700 ml) a R$ 45; safra 2022 (mais envelhecida) a partir de R$ 65 (garrafa comum) ou R$ 95 (modelo especial); safra 2018 a R$ 175. Os licores custam R$ 45 (500 ml) e R$ 25 (250 ml). Há também miniaturas (garrafinhas de 250 ml) de cachaça e licor por R$ 15 cada, e kits presenteados com quatro garrafinhas – duas de amburana e duas de carvalho, ou quatro licores (figo, menta, jabuticaba e banana) – por R$ 68.
Sobre a arte de degustar, Jefferson orienta: “As pessoas pegam uma pequena quantidade e já engolem. Você tem que pegar um golinho, segurar na boca um pouquinho, aí depois engole. Vai mudar totalmente o sensorial, você vai degustar melhor.” Ele explica que a queimação na garganta muitas vezes está relacionada à forma de beber – ingerir rápido sem sentir os aromas. Para os licores, a recomendação é servi-los bem gelados, podendo até ir ao congelador (o teor alcoólico impede o congelamento).
No pavilhão da Expo Negócios e Varejo, Ademilton Bispo da Silva, vendedor do Empório Paladar, apresenta cachaças originárias de Salinas (MG), cidade conhecida como a “capital da cachaça” e que lidera a guerra da melhor cachaça do Brasil. O destaque fica por conta da cachaça velha, envelhecida por dez anos em barril de carvalho e tratada com carvão vegetal para retirar as impurezas da cana. “A hora que você tomar a cachaça, ela não queima a garganta. Ela desce suave na sua garganta”, afirma Ademilton. Há também a cachaça amarela, com seis anos de envelhecimento e também tratada com carvão vegetal.
A linha de cachaças saborizadas é produzida com a própria fruta em curtição, não apenas essências. Os sabores disponíveis incluem café, abacaxi, banana, mel, amburana (que dá um sabor mais madeirado e também é usada medicinalmente), mel com amburana, cravo e canela. Após a curtição, a cachaça é filtrada novamente para ser envasada. Todas as cachaças (puras e saborizadas) passam pelo tratamento com carvão vegetal.
O preço praticado no estande é de R$ 130 a garrafa para a maioria dos rótulos, mas a cachaça velha (dez anos) já chegou a custar R$ 230 no site. Para iniciantes, Ademilton recomenda a cachaça de banana (parecida com a bananinha) para quem prefere sabores adocicados, e a cachaça velha para quem quer apreciar a bebida pura e suave. Além das cachaças, o Empório Paladar também comercializa licores de amarula, jabuticaba, maçã verde e milho verde.
Sobre o segredo para beber bem, Ademilton diz: “Tudo é alimentação. Se você não tiver alimentação boa, fica bêbado fácil. E tem que ter moderação.” Ele recomenda o uso de copo de dose para apreciar aos poucos. O Empório Paladar participa da Expo Londrina há mais de dez anos, e Ademilton avalia a experiência como muito positiva. “Londrina é a melhor. Você sempre vê pessoas diferentes, cada ano é uma expectativa nova.”




